sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Palmas - TO - 21 de agosto de 2009

Tenho ouvido bastante ...
Do pai da Bossa - Gilberto João - Pra machucar meu coração
http://www.youtube.com/watch?v=3IN05cXaO0w


Não conheço




os limites do mundo,





por isso meus sonhos


são grandes absurdos.




Otávio Fraz

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Palmas - 1 de julho de 2009 - O Mar, A Ana.

Para essa, não deixem de ouvir, por Bethania, A Morena do Mar do mestre Caymmi.



O Mar, a Ana.

Éh! Morena dos olhos de noite
Essa tal vontade de solidão
Não faz bem, a qualquer coração

Éh! Morena do brilho de sol
Tu que foges do amor, cuidado
Não faça do amor uma cruz ao diabo

Éh! Morena, tu machucas como açoite
Deixe que eu te leve e sem perceber
Vais se entregar ao amor e ao bem querer

Éh! Morena, tuas mechas em lençol
Não... O bem querer não atrapalha
Quando bem mesmo o querer, só acalma

Éh! Morena, fostes antes de nem bem chegar
Quem crio teu nome de certo amava o mar
E também de certo que amava Ana
Lembrando a beleza do mar e o amor de quem se ama
Chamou então alguém, certa vez, Mar i Ana


Otávio Fraz

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Poesia Cantada - Dos Caminhos

A Partir de Hoje com uma certa frequencia, haverá poesias que irei musicalisar, quando o Título da postagem for POESIA CANTADA, clique no link do vídeo do You Tube, veja e ouça a pesia a ser cantada. A gravação é feita em casa e a afinação não é das melhores.
Mas espero que enriqueça em vocês a percepção do peoma.

Bem! Abrindo o POESIA CANTADA o poema

Dos Caminhos

http://www.youtube.com/watch?v=X0C2JPMTOtU

Nessa moto hoje eu pego a estrada
Talvez pelo mundo eu me esqueça
De todo amor que um dia senti
Perdido talvez encontre meu lugar

Quando eu chegar na divisa com o nada
Deus talvez de mim se compadeça
E me faça não querer mais mentir
A esse coração querendo voltar

Faz alguma coisa que não me deixe partir
Ou então esqueça, e que a estrada me leve
Por caminhos que você nunca mais me encontre
E talvez não haja tanto amor assim pra alguem te dar

Pois depois que eu me perder por ai
Minha alma talvez se segue
E meu coração não mais encontre
O caminho de volta pro teu amor

Se seguires meus passos talvez encontres
Flores por rios estradas e montes
A cada trilha dificil de passar
Ouças os vento e a brisa a te contar

Os caminhos que passei fugindo da dor
A cada encruzilhada uma gotinha do amor
Que deixei pra traz ao tentar te esquecer
A cada gotinha um flor, vai nascer

Otávio Fraz

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Palmas - 12 de junho de 2009 - Benção de Iemanjá

Pra essa postagem, não deixe de ouvir o Mestre Caymme - O bem do Mar

http://www.youtube.com/watch?v=0vnfAeAv0GA


Vai ! Se banha minha mãe d'água
Lava esse corpo de toda essa mágoa
E depois volte aqui pro peito meu
Vamos voltar ao nosso dossel

Quando fordes, se deixe lavar
Por toda essa água desse nosso mar
Depois te perfuma toda de amor
Pra que eu sinta teu cheiro, seja aonde for


Ah!! Se quisesses minha bela atriz
Tu não me escapavas nem só um por triz
Te purificava com sal do meu mar


Cobria teu corpo só com uma flor
Te dava um banho gostoso de amor
Clamando as bençãos de Iemanjá



Otávio Fraz

domingo, 31 de maio de 2009

Palmas - 1 de junho de 2009 - Descobri

Não vale a pena ler sem ouvir
Chico Buarque - Sem você - http://www.youtube.com/watch?v=2N4U9pUmbxY&feature=related

Descobri que meu coração não nasceu pra bater sozinho
Descobri que aos meus 20 anos não estou tão velho pra me apaixonar
Descobri que esse mundo é belo mesmo sendo tão cruel
Descobri que as pessoas, por serem imperfeitas, são maravilhosas
Descobri a beleza que está nos erros
Descobri que tudo que me é belo é fruto que alguma inocência
Descobri a inocência nos olhos das pessoas ditas como ruins e falsas
Descobri que a fraqueza é um pré-requisito para se ser humano
Descobri a perfeição sentimental está na imperfeição do mundo
Descobri que é mesmo belo sentir-se triste
Descobri o que é belo pela tristeza que senti ao cair na saudade
Descobri que sem tristeza alguma não haveria nenhuma felicidade
Descobri que mesma a vida mais curta pode ser completa só pelo fato de se ter amado
Descobri tanto coisa sobre o amor que já me esqueci do que primeiro descobri
Descobri que falar do amor é vão quando nunca se tiver amado
Descobri que há amor sem paixão
Descobri que a paixão é preço do amor
Descobri que nem tudo é paixão, nem todo sentimento em relação a alguém
Descobri que a vaidade e o orgulho são tudo o que fazem o ser humano, ser infeliz
Descobri que não sei nada do amor
Descobri que o mundo ainda existe somente só por causa do amor
Descobri que nunca haverá felicidade plena, pois a única felicidade plena está no que se sente ao estar à procura da felicidade.
Descobri que se as pessoas quisessem sempre, viveriam em paz
Descobri que ja falei, por hoje, besteira demais
Descobri tanta coisa, que nem me lembro mais.

Otávio Fraz

terça-feira, 28 de abril de 2009

Palmas - 29 de Abril de 2009 - O velho piano.

Se for ler o texto, faça-se o favor de sentir essa musica.
Ler sem ouvi-la, não será a mesma coisa.
A doce Corinne Bailey Rae - Since I've Been Loving You
( http://www.youtube.com/watch?v=9MAAFqYXx4g )



É dia de semana e o piano é espanado pra espantar a poeira.
Ele senta, ajusta a altura do banco no palco daquela velha taberna que, há muito, fora sede boemia daquela parte da cidade. Verifica afinação daquelas teclas, estão como da ultima vez que estivera ali. Então, como se voltasse a respirar, toca ,desajeitadamente , aquelas teclas, como uma tímida criança que aceita um doce de um desconhecido.
Aos poucos se solta, solta os ombros, descruza as pernas e respira à velocidade com que toca... E toca... E toca... E fecha os olhos, tocando baixo, ele ouve a voz dela, que está agora sentada na calda do piano segurando um cigarro em uma das mãos, e na outra aquele microfone pentagonal disposto por cima do pulso aberto da mão esquerda, vestida de vermelho e fortemente maquiada, cantava fazendo amor com a platéia. Ao seu lado um violoncelo tocado com os dedos de seu velho amigo de palco escondido embaixo daquele chapéu coco preto e desgastado.
A sétima dose de uísque é contemplada pelo seu copo. Já não tem controle sobre os dedos dançantes entre a terceira e a quarta oitava do teclado, eles mexem-se por si só, não há cifra nem partitura, sua música brota dos poros ardentes daquela prostituta que canta à sua frente, contemplada pelos olhos cansados dos bêbados sentados em suas mesas redondas. Fumando, bebendo, jogando, brigando e dormindo sonham, sonham com aquela dançarina que poderiam comprar se não gastasse tudo o que não tinham em doses caras de uísque e charutos ditos cubanos.
Os bêbados, políticos, trabalhadores, malandros e os ébrios habituais sentados nos bancos do balcão e em suas mesas, acompanham com os queixos o som do piano, fazem desenhos no ar com a fumaça dos seus charutos, mas seus olhos são só da dançarina. Todos sabem estar errados, do pianista ao político na mesa mal iluminada no fundo do bar com uma prostituta sentada no seu colo. Todos sabem o que qualquer um diria se tivessem a coragem de se declarar freqüentadores daquele local, mas ninguém se importa, ninguém se importava.
Da meia calça preta ao falso colar de pérolas, aos poucos elas vai sumindo na fumaça dos cigarros que brilha sob a fraca luz das lamparinas da parede da taberna. Das cartolas altas e pretas aos charutos quase apagando, os homens nas mesas se dissolvem na escuridão. O violocelo, o bar man, as garçonetes e o bêbado debruçado sobre umas das mesas, vão sumindo, os dedos cansam e vão parando, uma lágrima escorre pesada do rosto e toca a ultima nota da última música, e ele abre os olhos. Abre os olhos naquele antigo bar de cadeiras amontoadas num canto, de balcão e prateleiras vazias, de poeira e teia de aranha. Levanta do banco, veste o paletó e vai-se embora como quem acorda pra um pesadelo ruim.

Otávio Fraz

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Palmas - 24 de abril de 2009 - Vazio

Um Coração fazio, nada estimula, não preenche nem uma folha de caberno, muito menos a página de um blog.

"Um coração que bate vazio dói mais do que um coração que bate apaixonado"
Já diria qualquer um.

sábado, 11 de abril de 2009

Sábado de aleiluia - abril de 2009 - Inominada

A genial Brandi Carlile - Turpentine - http://www.youtube.com/watch?v=QzXhoMOn90Q


Essa chama que aquece, acaba por me queimar
Você se esquece que mexe, com o que não sabe lidar
Eu, cansado, sentado em um canto qualquer
Tento lhe desculpar por motivos de mulher

É mesmo uma pena que essa faca não corte minhas mãos
Por mais fortes os murros, eles serão em vão
Não há mais sangue pra escorrer, me ensinar
Que não adianta insistir em tentar

Talvez eu não tenha sido feito mesmo pra viver
Bobos amores, que a todos irá acontecer
Então eu tento me fazer um grande favor
Contentando-me com o que já tenho de amor

Só me resta a última opção
“Maluquice sua”, muitos dirão
Voltar ao início dessa história
E apagar cada uma das nossas memórias

Não... não quero fazer isso
Me deixa amar como um ser humano qualquer
Otávio Fraz

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Palmas - 3 de abril de 2009 - Cuidado!!

Um som pesado, conveniente ao texto
System of a Down - Aerials (http://www.youtube.com/watch?v=UJ6FbEmDDcU)

Cuidado!

Pode não ser saudável essa vida estável.
Mas talvez, quem sabe, melhor seja assim.
Talvez nenhuma regra seja mesmo aplicável.
A nenhuma parte, quem sabe, de mim.

Se você gosta do morno do meio caminho.
Repudia o torto, a qualquer defeitinho.
Não olhes pra mim, nem com querer
O resultado, se trágico, nem eu sei dizer

Não sou o morno, nem o normal
O decente ao todo e nem o moral
Sou o orgasmo, ou a pura tristeza
O horrendo profundo, ou a simples beleza

O tédio de mim, não passa nem perto
Pois eu sou o tímido ou o mais indiscreto
O duro do gelo em um calor de arder
Sou o tipo de vida que não quero pra você

Da brisa do céu, ao cheiro da terra
Talvez uma alma tão pura e tenra
Habite meu peito tão exasperado
E eu possa enfim viver abrandado

Otávio Fraz

segunda-feira, 30 de março de 2009

Palmas - 30 de março de 2009 - O depois pode ser tarde

Qual a graça em viver Sabendo o que vai acontecer
Já que todos programaram O que seria quando crescer
Por que trilhar um caminho De uma só direção
Sem poder escolher as trilhas Divergentes do seu coração

Sem experimentar O que a vida te oferece
Há todo um mundo la fora E a gente se esquece
E que bom seria Se pudéssemos parar
E reviver tudo de novo Poder recomeçar

A vida é uma só e não tem como voltar atrás
O tempo que passa não volta nunca mais
Já que todos estão à procura da felicidade
Se não vivermos o agora, depois pode ser tarde
Como é bom poder correr Livre por um campo de flores
Sem nenhuma pretensão, Vivendo só de amores
Ansioso pelo amanhecer E as surpresas de um novo dia
Viver dia após dia De uma vida tranqüila

Fazer um pouco hoje Pra construir o amanhã
Ter a certeza do incerto Uma espécie de loucura sã
E se no fim desse dia Eu já não tiver nada pra fazer
Eu vou cantar Esperar o dia amanhecer

A vida é uma só e não tem como voltar atrás
O tempo que passa não volta nunca mais
Já que todos estão à procura da felicidade
Se não vivermos o agora, depois pode ser tarde
Depois pode ser tarde demais
Otávio Fraz

sábado, 21 de março de 2009

Palmas - 21 de março de 2009 - Queria

Música instrumental, para os amantes de violão, do gênio Andy Mackee (http://www.youtube.com/watch?v=JsD6uEZsIsU)


"eu gosto da música instrumental, por que dela podemos inventar mil letras ...esquecer mil letras... e reinventar mil letras , pois existem músicas que so devem ser cantadas uma vez"

Queria te desenhar
Mas não chego a tentar
Pois não vou passar nem perto
Desses traços tão corretos

Queria te esculpir
Mas não vou me redimir
Se não fizer o esperado
E sua perfeição ficar de lado

Queria uma foto sua
Mas você é como a lua
Que brilho não se aprisiona
Desse brilho so vós sois donas

Queria fazer sua pintura
Mas essa alvidez sua
Tinta nenhuma vai pintar
Não há como retratar

Queria te cantar
Mas pr'essa bossa ja não ha
Nenhum gênio pra compor
Quisera eu ter esse dom

Já que de maneira alguma
Pude ter uma parte sua
Vou apelar pro mais ousado
E ter você só do meu lado

Otávio Fraz

quinta-feira, 19 de março de 2009

Palmas - 20 de março de 2009 - Mesmo que não tenha fim

Para atiçar vossos corações, Peter Gabriel (http://www.youtube.com/watch?v=6nZGv8VTBVE)

O hoje pode ser doloroso
Lutar, eu sei que é penoso
Não se tem mais de onde tirar forças
Continuamos com as pernas quase mortas

Se o que respiro é o ar de um sonho
Todas as forças, em mim recomponho
E assim, dou o que tenho de tudo de mim
E ultrapasso o horizonte, mesmo que nao tenha fim

Nao se pode viver e ser morto
E nesse barco, mesmo que nao haja porto
Decidi embarcar assim mesmo
Ainda que o destino seja puro esmo

Mas se é algo que vale a pena viver
Nao ha quem diga que nao poderá fazer

Otávio Fraz

terça-feira, 17 de março de 2009

18 de março de 2008 - Palmas - Talvez seja melhor nem olhar pra traz




As vezes paro e olho para traz
Sento naquele banco de praça onde eu costumava fantasiar o meu futuro
Revejo aquelas árvores que um dia escrevi meu nome dentro de um coração
Revejo as fotos e cartas que tiveram o poder de parar o tempo
Ouço aquelas músicas que me fizeram chorar ou que simplesmente passaram
E se eu fechar os olhos, posso sentir um a um o cheiro dos ventos que se foram
Alguns detalhes já não fazem parte de mim, outros ainda se destacam
Já não tenho mais ânsia de saber qual será a minha altura
De como vou parecer quando for mais velho
Se vou ser um paleontólogo ou um jogador de basquete
Em como será maravilhoso dirigir um carro ou ver televisão ate tarde
Se vou casar ou ter filhos, quantos filhos
Algumas coisas passaram… inclusive a inocência…
Inclusive a inocência em relação a mim e a esse mundo
Agora sou culpado, condenado a corresponder ao que esse mundo espera de mim

Otávio Fraz

segunda-feira, 9 de março de 2009

Palmas - 9 de março - Meu Monstro Alado

Para ouvir na leitura (http://www.youtube.com/watch?v=KBqwW-odVtI)



Cada dia que passa
Envelheço mais
Em queda livre sem asas
Não volto atrás
O destino adiante
A certeza não traz
Nesse barco errante
Não embarcar? Jamais

Me isolo e ignoro
A qualquer distração
Pra frente e avante
Seguindo o coração
A favor da corrente
Não me chama a paixão
Eu cego e displicente
Só quero canção

Acordo nas noites
Cansado, abalado
O correto e entediante
Não quero do meu lado
Essa vontade estigante
Esse sonho malcriado
Vendado, eu monto
Esse monstro alado

Meus sonhos perversos
Profundamente indiscretos
Não me deixam opções

Seguindo adiante
Com um medo constante
So me restam orações

Mas um dia quem sabe
Esse urro se cale
Se eu tocar corações



Otávio Fraz

domingo, 8 de março de 2009

Palmas 9 de março - Tarde da Noite

Dirijo esse carro de farois baixos
Pudera deixassem meus caminhos claros
Volto bem tarde pra casa
Essa brincadeira ja nao tem mais graça
Dessa desordem eu ja nao passo
E o cio acaba vencendo o cansaso
O amor e agonia se degladiam na minha frente
Amarrado, cansado, inutil e demente
Ainda luto pateticamente contra essa angustia
que me vence repetidamene, sem muita astucia
e no fim de tudo
acabo me recolhendo ao frio do meu coraçao

quinta-feira, 5 de março de 2009

05 de março de 2009 - Palmas - TO - Todos os amores

Para essa leitura, não deixem de ouvir essa música enquanto acompanham o texto.(Faltando um pedaço - Djavan)
Se alguém me perguntar: Você tem muitos amores?
Podem dizer que é impossível, mas irei dizer: Muitos amores, muitos mesmo.
Mas Como? Vou te contar

Amor... já parou pra se perguntar o que é o amor?
Não!! Não tente responder... você não vai conseguir, ninguém até hoje conseguiu.

O primeiro amor: Será aquele amor maior de todos, maior do que tudo. Amor pela vida, amor por viver, amor pelos sonhos, amor por ser quem é. Esse amor que engloba todo o mundo... o amor divino, o amor de Deus.

O Segundo amor: De todos os amores objetivos, com certeza o mais forte. O amor da carne, o amor do sangue, é amar uma parte de você que não é você propriamente. Amar o pai, amar a mãe, o irmão. É aquele amor que faz as palavras “Sangue” e “Carne” transcenderem o sentido material. Esse amor quando acende nada apaga. Esse amar torna dois seres diferentes na mesma carne, torna duas entidades uma só fonte de amor.

O terceiro amor: Posso dizer desse amor uma coisa, só Deus sabe explicar o como e o porque de existir. Como duas pessoas sem nenhuma afinidade sanguínea, familiar ou ate mesmo, sem nenhuma proximidade física podem se amar? O terceiro amor pode ser tão grande ao ponto de evoluir para o segundo.

Imagina só: Duas crianças, ambas no auge de seus 8 anos. Um rapazinho de cabelo em cuia e umas janelinhas nos dentes, uma mocinha de cabelo amarrado em chuquinha e um oculinhos de bichinhos. O que podem essas pequenas criaturas saber do amor? Talvez soubessem mais que nós hoje em dia, pois começaram a se amar sem nem saber o que isso poderia significar. De alguma forma, por alguma razão elas se topam, brincam, conversam, aprendem... e crescem. Crescem juntas, vendo-se todos os dias, até o dia do adeus. Despediram-se ainda crianças. Um pouco maiores, mas do mesmo tamanho em consciência ao amor. Separam-se, por anos não se vêem, mas por alguma razão nunca se esqueceram daquele amigo da qual se despediram. Quase 13 anos se passam após o dia em que o cabelinho de cuia conheceu a oculinhos de bichinho, ela então fala que vai dormir pois no dia seguinte precisa trabalhar e pede pra ele jurar que vai se cuidar, ele distraído demora e responde sem que ele tenha tempo pra ler: VOU ME CUIDAR SIM, POIS EU SEI QUE CUIDAR DE MIM, É TAMBÉM, CUIDAR DE VOCÊ.

O quarto amor: Dos amores esse talvez seja o mais misterioso, pois pode ir embora e pode voltar, pode adormecer por anos pra depois queimar. Esse amor ,como os outros, tudo espera, tudo supera, não se alegra com o mal nem se regorjeia com a crueldade, esse amor perdoa, esse amor cuida .... mas temos que aprender a perde-lo, a deixá-lo ir. Talvez fôssemos seres perfeitos se soubéssemos perder esse amor, mas então seria tudo tão sem graça, pois seria um amor banal. Somos perfeitos assim, bem cheios de defeitos, e pra complementar, pra cuidar dessas defeitos até sarar e criar novos defeitos, só mesmo o quarto amor. O quarto amor é o desequilíbrio da vida, é o amor imperfeito e meio deformado, mas que, talvez sem ele, não tivéssemos a motivação para sermos melhores.

Então, meu primeiro amor, meus segundos, meus muitos terceiros e quase poucos quartos, não vos amo por que quero, mas por que o amor dentro de mim encaixa com o amor que existe em vocês.

Que esse mundo seja cheio de amores imperfeitos.
Otávio Fraz

terça-feira, 3 de março de 2009

02 de Março de 2009 - Diz que não volta

Mais uma vez você volta.
Devasta tudo que eu achava ter construído
Abala tudo o que pensava em mim concreto
E meu coração que há muito dormia
Acorda no meio de um turbilhão de agonia
E é como se fosse a minha primeira vez
Como se eu nada soubesse de nada
Mas me acorda da penumbra do meu desafio
De fechar os olhos e viver nu no meu frio
Eu trancado na escuridão dessa alcova que me pus
Você arromba porta me trazendo essa luz
Aquece cada pedacinho do meu peito
Depois me toma tudo como se fosse seu
Diz que se vai e só explica com um Adeus
E eu que jurava estar acostumado a te ver partir.

Otávio Fraz

"É uma coisa que nasce no coração, uma agonia inquietante que parte do coração e sobe rumo a cabeça. A medida que sobe afunila, até chegar à garganta e quando chega ao ponte de explodir pelas cordas vocais, cala, emudece e me faz engolir devastando o meu estômago em mil borboletas. Desce para as pernas inquietas, sobe aos pulmões ofegantes, amolece meu corpo, emudece minha boca ... abastece a minha alma."

sábado, 14 de fevereiro de 2009

São Paulo, 15 de Fevereiro de 2009

Tenho me cobrado a fidelidade com o blog, admito que tenho sido falho.
Desde meu último post, muita coisa aconteceu da minha nova visão do quanto somos minúsculo diante da grandeza do Universo, até a minha aflita mudança-não-mudança para Sampa.
Deixe-me explicar.
Nos meus últimos dias em Lisboa, aproveitei o tempo que me faltava para visitar o oceanário e o zoológico. Maravilhosas experiências.
O oceanário é maravilhoso, além de mostrar as belezas, por muitos desconhecidas, do fundo do mar e das diferentes formas de vida ao longo do nosso planeta azul, expõe e choca o visitante mostrando a destrutível degradação causada pela ação antrópica irresponsável e predatória.
Vi um vídeo. Vídeo esse que mostrava o quão o planeta terra é insigficante diante da grandeza do Universo. Há alguns anos luz de distância nosso planeta parece um minúsculo grão de areia suspenso em um feixe de luz. O que nos faz pensar que estamos em uma situação privilegiada em relação ao restante do universo? A existência de vida? Engana-se quem pensa assim, pois o universo em si está vivo, a única diferença é que nós, auto denominados inteligentes, temos consciência de nosso própria existência.
Mas não adianta, Oh! Ignorantes seres humanos vocês terem consciência de sua existência, quando essa dita autoconsciência, apesar de toda abstração, se afunila em uma vertente auto-destrutiva.
Talvez não sejamos as únicas formas de vida conscientes. Talvez em algum lugar no universo exista uma forma de vida que de tão sábia e inteligente, tenha chegado à conclusão que o mais sábio é não ter nada a dizer ou questionar, o mais sensato será talvez ignorar a própria existência, calar a própria existência, pois terá compreendido que o universo e cada infinita minúscula parte dele, é um complexo harmônico de fatores que se encaixam, completam e dão seguimento às suas transformações, e mexer com essa harmonia seja talvez o maior erro que se possa cometer.
Abstrações a parte, o zoológico foi uma viagem e tanto à riqueza existente num minúsculo grão de areia suspenso num feixe de luz. Pobres animais, não tem culpa alguma de fazerem parte do mesmo ecossistema do animal homem que destrói tudo que toca, e depois quer se achar o animal mais esperto só por que é capaz de mover os artelhos superiores no movimento de pinça.
Uma quinta feira chuvosa extremamente divertida para mim, mas fatidicamente entediante para aquelas animais obrigados a agüentar aqueles seres humanos chatos observando-os através de grades ou vidros. Tive quase certeza de ter sentido o que o tigre de bengala pensava ao me ver espremer o nariz contra o vidro: Maldita raça, podiam entrar em extinção e deixar nosso planeta em paz.
As focas? São belas, digamos até fofas. Inteligentes e espertas dançam com os treinadores paços ensaiados e mandam beijinhos para o público. Os golfinhos? Impressionantes em seu balé de nado sincronizado com as treinadoras.
Após tais experiências, é chegada a hora da partida. Tivemos que resumir toda a mudança de 6 pessoas em 14 volumes de bagagem a serem despachadas e 9 mochilas de bagagem de mão, ao amontoar tudo isso em carrinhos bagageiros a famíla Fraz parecia um grupo de ciganos mudando de campa.
Chegamos ao Brasil, cansados, moídos, mas felicíssimos com a recepção calorosa dos amigos. A volta para a nossa casa foi emocionante, não há lugar como o lar.
Hoje fez uma semana que voltei ao Brasil, mas a correria da vida que escolhi já me remeteu a São Paulo numa mudança de última hora. Mas por que mudança-não-mudança? Mudei-me para São Paulo com toda a banda Vertikal por um final de semana, para mim somente por esse final de semana, enquanto volto para Palmas nessa segunda os que aqui ficam vão procurar estabelecer e estabilizar a nossa chegada, ate que haja a condição para a mudança definitiva, além de alguns problemas de saúde que também não possibilitam que se estenda a minha visita à capital paulista.
Participamos hoje do nosso primeiro festival.

Otávio Fraz

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Lisboa - 27 de janeiro de 2009



Uma vez me disseram.
Otávio me sinto bem com você.
Você me passa segurança, seu sorriso é sempre positivo, é decidido e sabe pra onde vai, não tem vergonha de ser quem é e nem do que as pessoas vão pensar de você.
Eu respondi então.
Caro amigo não se iluda.
A minha segurança é só aparente, sou um turbilhão de insegurança, as pessoas tem mais segurança do que sou do que eu mesmo.
É certo que me ponho sempre a sorrir, mas esse sorriso é pra mascarar a parte feia dos meus medos e das minhas dúvidas, que não são poucas, porém banais.
Decidido? Tanto quanto um cego que acha conhecer o lugar que acaba de chegar.
Sim eu sei bem pra onde eu vou, isso eu sei, pois a minha única certeza é que não andarei de volta pelo caminho que vim, mas o resto, mesmo que eu tente saber pra onde irei, não passará de mera adivinhação.
Tenho sim vergonha, ela só não me impede de fazer as coisas que me apetecem, mas tenho muito medo da desaprovação dos olhos alheios, afinal, a passagem por esse mundo não fica registrada como realmente foi, mas pela forma como as pessoas lembram-se de você e como contam sua história.


Otávio Fraz

sábado, 24 de janeiro de 2009

Lisboa 25 de Janeiro de 2009 - Histórias

Para essa postagem, essa bela música - http://www.youtube.com/watch?v=kZMid-ukbHs

Histórias

Vê esses calos aqui em minhas mãos?
Enxerga essas marcas profundas no meu rosto?
Contam as histórias que me trouxeram até aqui
Todas as histórias dos momentos que vivi

Altos e baixos nas estradas mais diversas
Atravessando oceanos, países e florestas
E hoje te contam por que sou assim
Te mostram os sonhos de dentro de mim

Mas pra que servem as histórias
Quando se está sozinho
São feitas para compartilhar

Se não, não passam de memórias
Lembranças guardadas à toa
Deita aqui, eu vou te contar

Como será quando nos encontrarmos?
Deixaremos todas as vaidades de lado?
Pra falar a verdade não quero saber
Se chegamos ate aqui, eu e você
É por que assim teria que ser
E apesar das diferenças, iremos sobreviver

Sabe esse sorriso na minha face?
Esconde a verdade por traz da minha alma
Da bagunça das perturbações que me afligem
Esses medos e receios de todo mundo

Vamos então andar de mãos dadas
Vamos fazer parte dessa mesma jornada
Podemos até encontrar o atalho à felicidade
A até nos esconder desse mundo de maldades

Mas pra que servem as histórias
Quando se está sozinho
Se são feitas para compartilhar

Se não, não passam de memórias
Lembranças guardadas à toa
Deite aqui, eu vou te contar

Como será quando nos encontrarmos?
Deixaremos todas as vaidades de lado?
Pra falar a verdade não quero saber
Se chegamos ate aqui, eu e você
É por que assim teria que ser
E apesar das diferenças, iremos sobreviver


Otávio Fraz